Conhecer as gerações e aplicar no seu negócio

Nas últimas 6 semanas falámos sobre as várias gerações ainda vivas e quais as suas características. Para terminar este assunto, nada melhor que o artigo que Pedro Bidarra, um publicitário fantástico, escreveu no site Dinheiro Vivo. Abaixo fica a transcrição completa do artigo, no qual se percebe claramente que conhecer bem os clientes faz toda a diferença.

 

O anúncio “A grande mama” da Yorn começa ordinaríssimo, no bom sentido, claro. Três jovens, uma rapariga e dois rapazes, mamam, deliciados, na teta de uma vaca. Mamam mesmo. Mamam até o leite lhes escorrer pelos cantos da boca. Uma porcaria, uma delícia de começo. Bem pode passar no You Tube aquele aviso a dizer que daqui a 3 segundos podes fazer “skip the ad” que com três jovens a mamar na teta de uma vaca ninguém faz “skip”. Começo genial. Depois vai por ali fora (veja o anúncio aqui) até que no fim se exclama: “A grande mama está de volta! Mas é só para Yorns.”

 

O marketing procura quase sempre o superlativo: o maior, o mais barato, o mais eficiente, o mais desejado, o mais vantajoso. É esse o trabalho do marketing, inventar vantagem. Mas o superlativo, porque é sobre-usado, tornou-se a mais banal das formas de comunicação. Banal ao ponto do descrédito. É por isso que o marketing convoca as artes, a escrita, os actores, os realizadores e os designers para converter o superlativo em figura de estilo. É essa a tarefa das artes comerciais.

 

“A grande mama” é o resultado da conversão de um superlativo, o vantajoso tarifário Yorn, numa grande e deliciosa metáfora. Uma metáfora popular e irreverente com o optimismo de outros tempos. Tempos menos deprimidos, mais felizes, em que tudo era possível. Tempos em que se mamava à grande.

 

O que é bom neste anúncio é que fala para o seu grupo alvo de uma maneira clara e exclusiva dos outros. Muita gente não o apreciará porque não se revê na linguagem, porque é posta por ordem ou porque é irremediavelmente mais velha, conservadora, sabe que a grande mama não volta tão cedo. Mas quando se é novo a vida é uma grande mama.

 

Fico feliz de saber que, no meio da depressão, da contenção, dos budgets ridículos, das negociações ciganas, ainda há quem acredite na grande mama que é a criatividade.

 

Quando me convidaram para escrever esta coluna tinham como expectativa que o assunto fosse a comunicação e as suas artes. Não o tenho feito. Tenho-me antes aventurado por outros temas – sempre do ponto de vista da comunicação, mas outros temas. A razão deste afastamento é simplesmente o reflexo da falta de assunto de que valha a pena falar. Podia dar-se o caso de estar distraído – com tanto canal, tanto site e tantos media seria normal – mas a verdade é que sempre que alguma coisa sai da aflitiva e rasca banalidade com que os anunciantes enchem os espaços que compram, essa coisa encontra sempre o caminho até nós.

 

Foi o que aconteceu com “A grande mama” da Yorn: encontrou-me e fez-me rir. E lembrou-me de como pode ser corajosa, criativa e irreverente a comunicação comercial. Assim haja clientes e criativos com talento e, sobretudo, sem vergonha. A vergonha é uma condição psicológica que é amiga da sociedade mas inimiga da criatividade. Para fazer diferente é preciso não ter medo da desonra, da desgraça ou da condenação. É preciso não ter vergonha.

 

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