Geração Z – a geração digital

Toda a revolução decorrente da chegada da “Sociedade da Informação” exigiu, após a surpresa inicial, um esforço de adaptação e aprendizagem. Para os jovens da era digital contudo não há surpresa, adaptação ou aprendizagem pois a “Sociedade da Informação” foi o que eles sempre conheceram. Para eles, tudo terá de ser assim porque simplesmente não serão capazes de conceber que fosse de outro modo.

 

A Geração Z, iGeneration ou Geração Digital representa 18% da população mundial e é constituída por jovens adultos e adolescentes que nasceram entre 1990 e 2004 (há quem defenda que esta geração ainda não está fechada). Esta geração difere da anterior de muitas maneiras. De facto, estes jovens do mundo moderno têm acesso a vários instrumentos de comunicação e entretenimento. Para elas, a internet é um bem adquirido e imprescindível. Nunca viveram num mundo sem essas tecnologias e por isso são menos deslumbradas que a Geração Y. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, 85% dos indivíduos com idade entre os 10 e os 15 anos utilizam telemóvel, 97% utilizam computador e 93% acedem à Internet.

 

Infelizmente, esta dependência da tecnologia transparece na personalidade característica deste grupo de pessoas. Estes adolescentes são conhecidos por serem pessoas mais individualistas e impacientes, com poucas habilidades para comunicar. Eles vivem num mundo virtual onde por vezes preferem utilizar o MSN, as redes sociais ou outros meios de comunicação como o telemóvel em vez de reunir todos os seus amigos.

art017 - individuos Z

O mercado jovem caracteriza-se por ser um target distintamente insatisfeito que busca cada vez mais uma onda punk e uma atitude do-it-yourself, demonstrando uma tendência para criarem a sua própria moda e estilo, bem como a importância que dão à autenticidade.

 

Outra característica essencial desta geração é a sua visão de um mundo sem fronteiras geográficas. Para eles, a globalização não foi um valor adquirido no meio da vida a um custo elevado. Aprenderam a conviver com ela já na infância.

 

Como informação não lhes falta, estão um passo à frente dos mais velhos, concentrados em adaptar-se aos novos tempos. De facto ao contrário de algumas gerações passadas, eles estão a crescer num mundo de igualdade e crêem que os homens e mulheres são iguais tanto no trabalho como em casa. As famílias monoparentais, reconstituídas ou mesmo homossexuais são comuns. Esta geração será marcada por grandes valores sociais e éticos.

 

São pessoas dinâmicas, activas e interessadas por diversas coisas ao mesmo tempo, não lhes interessa centrar a atenção numa única actividade durante muito tempo. São, muitas vezes, classificados de hiperactivos e de terem uma grande dificuldade de concentração. Todos os seus momentos são um zapping contínuo – saltam da TV, que não tem sentido sem o respectivo telecomando e as dezenas de canais por cabo entre os quais “navegam” constantemente, para o computador, onde comunicam em várias salas de chat ao mesmo tempo usando identidades virtuais diferentes, entretanto mandam uma mensagem do telemóvel, têm simultaneamente a MTV a debitar o seu rapper favorito ao fundo, em seguida “surfam” na internet pesquisando para o trabalho de casa enquanto olham pelo canto do olho para uma série na TV. Para estes jovens é prioritário comunicar, em qualquer momento e onde quer que se encontrem.

 

Os “zap” também crescem num contexto fundamentalmente diferente do dos seus progenitores, também profundamente influenciado pelo nascer de um novo meio de comunicação. Mas, ao contrário dos Baby Boomers, que eram meros observadores de um meio de transmissão de informação para as massas – a TV – eles são activos participantes de um meio de comunicação individualizado e interactivo – a Internet. A busca de informação é activa, não esperam que lhes dêem o que querem saber, em vez disso investigam, exploram, questionam. São produtos típicos da “sociedade à velocidade do pensamento” em que nasceram e que habitam. Vivem em tempo real, tudo é imediato.

 

art017 - aparelhos electronicos

 

A socialização precoce a que foram forçados desde muito cedo, e devido à qual se habituam a conviver e a competir com os seus pares, favorece o gosto pelo trabalho em equipa. Colaborar para projectos comuns é para eles um processo natural e não artificial ou forçado.

 

Muitas vezes são classificados como mimados, materialistas, consumistas. É certo que os Baby Boomers, talvez sentindo-se algo culpados pelo pouco tempo que lhes podem dedicar e tentando de algum modo compensá-los, os encheram de bens materiais. Talvez este receber contínuo lhes dê instintos consumistas. O que parece ser verdade é que, a afirmação e autoconfiança dos “zap” faz com que saibam muito bem o que querem. Quando parecem dar importância desmesurada a marcas, ao escolher os produtos que desejam, na realidade fazem-no pelas suas qualidades e não por simples ostentação. Pelo contrário, dão mais importância ao estilo do que propriamente à marca. E têm sobretudo atracção pela função, pela utilidade, e não pela forma. Gostam de poder escolher e exigem ter sempre grande diversidade de opções. Gostam de experimentar antes e esperam poder voltar atrás, se mudarem de ideias.

 

Querem poder mudar de opinião um milhão de vezes. Gostam de formatar produtos à sua medida e ao seu gosto e possuem um gosto próprio muito personalizado. Não são idealistas utópicos como os Baby Boomers, para eles o futuro é uma preocupação e as carreiras desejadas estão em primeiro lugar. E são realistas, sabem que as decisões importantes da vida devem ser tomadas conscientemente. São ambiciosos e desejam carreiras que lhes dêem dinheiro. Talvez por isso, sejam frequentemente acusados de serem egoístas e pouco preocupados com valores sociais.

 

No entanto, mostram inúmeras vezes a sua preocupação e são solidários com grandes questões. O ambiente, o crime, a SIDA, o suicídio, a droga, a violência doméstica – são temas que preferem investigar e discutir sempre que lhes seja proporcionado escolher. São extremamente tolerantes e aceitam sem reservas a diversidade étnica, política, religiosa. Têm curiosidade saudável e respeito pelo que é diferente. Estas qualidades serão, sem dúvida, mais um fruto do contacto com a grande diversidade de valores e culturas da Internet e com o acesso privilegiado ao mundo.

 

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